Minha grande sorte é que nasci alterada da cabeça.
Já cobri um largo espectro de diagnósticos nos diversos consultórios psiquiatricos que pude visitar nos últimos nove anos. Tantas siglas e nomes técnicos que fica chato listar.
Onde está a sorte?
Na família em que nasci, ser são da cabeça é que é grave!
Minha música preferida na infância sempre foi: "Samba lelê tá doente, tá com a cabeça quebrada, samba lelê precisava, é de umas boas palmadas..."
Contar indiozinhos é para losers.
Uma mulher que se cansou de blogar de pijama e resolveu cair de boca nesse Brasilzão!
12/09/2010
24/08/2010
Quase seis horas num pronto atendimento de um hospital particular na Vila Mariana.
Diversas idas e vindas da sala de medicações até a sala dos "cinquenta" médicos que me atenderam.
Reunião médica? Antes fosse! Era a troca de turno, a cada ida e vinda minha mudava o médico.
Fico calculando com minha matemática primária: cada vez mais se ouve sobre erros médicos por conta da alta carga horária e dos vários empregos que a classe médica se sujeita dado os salários absurdamente baixos. Os hospitais, públicos ou privados vivem abarrotados de gente. Convênios médicos mesmo bons e caros não garantem um bom atendimento.
Na minha terra, dois e dois ainda são quatro e com isso concluo que alguém(éns) na área da saúde está relleno el rabo de la plata - traduzindo o ditado popular via google.
Porque fiz essa conta?
A asma, a asma, que só me atormenta nessas épocas desérticas dessa cidade, que à uma da tarde de hoje já estava em alerta, com menos de 20% de umidade no ar. Resultando numa línda névoa cor de sujeira escrota no horizonte de aço e vidro (no pior estilo "quero ser moderno") enquanto nossos narizes tentam fazer uma viagem ao centro do corpo em busca de umidade.
Chego em casa com o anus atolado de cortisona, bronqueodilatadores e afins. Bicuda, sem conseguir dormir, me levanto, venho pro sofá e sinto um cheiro de queimado, vou à janela, só pode ser um incêndio...
Antes fosse! O corno do vizinho está fazendo uma fogueirinha no quintal!
Nesse momento evoco meus genes herdados de minha bisavó, maior carola, mas que rogava pragas como ninguém: que este desgraçado morra lentamente de crise aguda de hemorróidas num hospital em troca de turno, tendo pago religiosamente seu seguro médico por longos anos!
Diversas idas e vindas da sala de medicações até a sala dos "cinquenta" médicos que me atenderam.
Reunião médica? Antes fosse! Era a troca de turno, a cada ida e vinda minha mudava o médico.
Fico calculando com minha matemática primária: cada vez mais se ouve sobre erros médicos por conta da alta carga horária e dos vários empregos que a classe médica se sujeita dado os salários absurdamente baixos. Os hospitais, públicos ou privados vivem abarrotados de gente. Convênios médicos mesmo bons e caros não garantem um bom atendimento.
Na minha terra, dois e dois ainda são quatro e com isso concluo que alguém(éns) na área da saúde está relleno el rabo de la plata - traduzindo o ditado popular via google.
Porque fiz essa conta?
A asma, a asma, que só me atormenta nessas épocas desérticas dessa cidade, que à uma da tarde de hoje já estava em alerta, com menos de 20% de umidade no ar. Resultando numa línda névoa cor de sujeira escrota no horizonte de aço e vidro (no pior estilo "quero ser moderno") enquanto nossos narizes tentam fazer uma viagem ao centro do corpo em busca de umidade.
Chego em casa com o anus atolado de cortisona, bronqueodilatadores e afins. Bicuda, sem conseguir dormir, me levanto, venho pro sofá e sinto um cheiro de queimado, vou à janela, só pode ser um incêndio...
Antes fosse! O corno do vizinho está fazendo uma fogueirinha no quintal!
Nesse momento evoco meus genes herdados de minha bisavó, maior carola, mas que rogava pragas como ninguém: que este desgraçado morra lentamente de crise aguda de hemorróidas num hospital em troca de turno, tendo pago religiosamente seu seguro médico por longos anos!
23/08/2010
Era uma vez uma garota que queria fazer um bolo.
Ela pegou a receita de bolo com a fama de ser a melhor do mundo e a estudou com afinco.
Decorou todos os passos, sabia cada detalhe de trás pra frente e salteado.
Escreveu poesias pensando na receita do bolo e algumas críticas sobre os bolos alheios. E dez anos depois de pegar pela primeira vez na mão aquela receita, ela se deu conta que não fez o bolo se quer uma vez.
A boa notícia é que a mis en place está toda montada e já tem um bowl com manteiga e açúcar só esperando o fuet.
Ela pegou a receita de bolo com a fama de ser a melhor do mundo e a estudou com afinco.
Decorou todos os passos, sabia cada detalhe de trás pra frente e salteado.
Escreveu poesias pensando na receita do bolo e algumas críticas sobre os bolos alheios. E dez anos depois de pegar pela primeira vez na mão aquela receita, ela se deu conta que não fez o bolo se quer uma vez.
A boa notícia é que a mis en place está toda montada e já tem um bowl com manteiga e açúcar só esperando o fuet.
11/08/2010
Utilidade pública
Tradução de ditado popular pra hight society paulistana:
"No ânus alheio é gaspacho!"
"No ânus alheio é gaspacho!"
06/08/2010
05/08/2010
xadrez biográfico
Talvez eu não tenha mesmo nascido pra isso, talvez eu seja só uma pretensiosa.
Peão com pretensões de rainha.
Só sei que me darei um prazo, se não conseguir, volto a trabalhar de cozinheira na primeira cozinha que me empregar.
Peão é peão e tem que andar um quadradinho de cada vez.
Peão com pretensões de rainha.
Só sei que me darei um prazo, se não conseguir, volto a trabalhar de cozinheira na primeira cozinha que me empregar.
Peão é peão e tem que andar um quadradinho de cada vez.
Sabotagem
E eu me saboto que é uma maravilha.
Perco os compromissos, perco os prazos, perco até os cabelos, mas não consigo ser produtiva.
Nem deletar a porcaria da conta do facebook eu consigo! Enchi os pulmões do ar mais cheio de coragem que achei aqui e cliquei em "cancelar conta".
Olha só que jogo sujo: Facebook diz que pessoas que eu amo sentirão minha falta...
Me senti uma suicida.
Olhei lá pra baixo, todo mundo gritava pra eu não me jogar.
Perdi a coragem, voltei pra cama e dormi.
Perco os compromissos, perco os prazos, perco até os cabelos, mas não consigo ser produtiva.
Nem deletar a porcaria da conta do facebook eu consigo! Enchi os pulmões do ar mais cheio de coragem que achei aqui e cliquei em "cancelar conta".
Olha só que jogo sujo: Facebook diz que pessoas que eu amo sentirão minha falta...
Me senti uma suicida.
Olhei lá pra baixo, todo mundo gritava pra eu não me jogar.
Perdi a coragem, voltei pra cama e dormi.
30/07/2010
São Paulo
O que me incomoda não é a garoa, o frio, a poluição, o trânsito ou qualquer outra "intemperie" urbana.
São Paulo é uma cidade incrível, repleta de cultura, apesar dos humores cinza chumbo, dos carros importados e caras plastificadas, dos moradores de rua e nóias de crack.
Quero pedir perdão à minha cidade, que tanto amo, e que recentemente dei pra culpar por meus problemas umbilicais e frustrações em geral.
Foi um smog que passou pelas minhas vistas e ajudou a esconder todas essas belezas e gostosuras em meio ao concreto.
Em breve fotos do incrível tour pela cidade com minha prima "Made in Portugal", que fazendo as vezes de turista fotografou tudo que fizemos por aqui.
São Paulo é uma cidade incrível, repleta de cultura, apesar dos humores cinza chumbo, dos carros importados e caras plastificadas, dos moradores de rua e nóias de crack.
Quero pedir perdão à minha cidade, que tanto amo, e que recentemente dei pra culpar por meus problemas umbilicais e frustrações em geral.
Foi um smog que passou pelas minhas vistas e ajudou a esconder todas essas belezas e gostosuras em meio ao concreto.
Em breve fotos do incrível tour pela cidade com minha prima "Made in Portugal", que fazendo as vezes de turista fotografou tudo que fizemos por aqui.
21/07/2010
Justificativa
Quebrando a cabeça com a justificativa do livro.
Nunca pensei em algum dia me justificar sem ter feito algo errado.
Mas é só isso que faço desde a semana passada, escrever a justificativa pra entrar nos editais e tentar patrocínio com empresas privadas.
A coisa tá feia, não escrevo com um objetivo há anos.
Adriano está me ajudando e pra me convencer utiliza argumentos estranhos:"Imagine que eu sou um burocrata de marketing da Gessy Lever Megacorpanalisando propostas de projetos culturais antes de sair com meus amigos de firma pra queimar índiosDois projetos de culinária em cima da mesa. Um do Pará e outro do Pantanal." Nessa hora eu entendi tudo! Basicamente: não posso dar a chance do cara acessar sua memória afetiva, ele vai lembrar quanta punheta bateu pra Juma durante a novela, no auge de seus 12 anos, e eu me ferrei com meu projeto.
Esse mundo é muito estranho mesmo...
Esse mundo é muito estranho mesmo...
20/07/2010
"quem vai ao Pará, parou, tomou açaí ficou"
Diz o ditado.
Pura verdade, estou desde ontem com uma vontade sem tamanho de tomar açaí com farinha de tapioca. Uma vontade insana.
Até procurei videos do You Tube sobre açaí pra pelo menos me lembrar da cor dele e não cair na tentação de comer esse treco paulista congelado e cheio de glucose de milho.
Pra relembrar Belém, vou colocar aqui o um vídeo que Soraya, minha amiga paraense Pai d'Égua me mostrou quando estava por lá. Pena que o vídeo tem 13 minutos e no You Tube só cabe 10 por vez, cortou a música do final.
Pura verdade, estou desde ontem com uma vontade sem tamanho de tomar açaí com farinha de tapioca. Uma vontade insana.
Até procurei videos do You Tube sobre açaí pra pelo menos me lembrar da cor dele e não cair na tentação de comer esse treco paulista congelado e cheio de glucose de milho.
Pra relembrar Belém, vou colocar aqui o um vídeo que Soraya, minha amiga paraense Pai d'Égua me mostrou quando estava por lá. Pena que o vídeo tem 13 minutos e no You Tube só cabe 10 por vez, cortou a música do final.
15/07/2010
Santa Clara saiu de férias, foi à Disney com as crianças
De volta à São Paulo, um dilúvio, não pára de chover. Gostaria muito de saber onde os cães ensinados faziam suas necessidades na Arca de Noé. Pobre Bisteca, não faz cocô há dias.
São Paulo já me deprime por si só, não respiro sem cortisona aqui, com essa chuva desde segunda feira, não tem Woody Allen que dê jeito no meu humor.
Definitivamente não tenho anti-corpos para a Amazônia. Voltei com as pernas em carne viva das picadas de insetos, e na espreita de outra infecção intestinal, veio uma urinária. Já medicada, esperando passar a urinária, veio a intestinal. O antibiótico não fez total efeito, ou seja, visitas frequentes ao banheiro a cada meia hora alternando número um e número dois. É um festival numérico.
Tenho algumas coisa pra contar sobre a última viagem dentro do Pará, vamos ver se me animo a escrever.
São Paulo já me deprime por si só, não respiro sem cortisona aqui, com essa chuva desde segunda feira, não tem Woody Allen que dê jeito no meu humor.
Definitivamente não tenho anti-corpos para a Amazônia. Voltei com as pernas em carne viva das picadas de insetos, e na espreita de outra infecção intestinal, veio uma urinária. Já medicada, esperando passar a urinária, veio a intestinal. O antibiótico não fez total efeito, ou seja, visitas frequentes ao banheiro a cada meia hora alternando número um e número dois. É um festival numérico.
Tenho algumas coisa pra contar sobre a última viagem dentro do Pará, vamos ver se me animo a escrever.
04/07/2010
Início
Nesta segunda feira, às 4:30 da manhã, saio pra Bragança, Vigia e cidadezinhas ainda menores pelo Pará afora.
Estou muito animada, mas só em pensamento, meu corpo está aos trapos por conta da última noite, a única em um mês que passei com o marido.
"Bragança é um lugar mágico, Ajuruteua é um sonho", diz uma amiga que fiz aqui em Belém.
Não vou por isso, mas adorei saber, acredito que num lugar mágico hei de conseguir o que procuro.
Me desejem sorte, não que eu já não a tenha, mas nunca é demais.
Estou muito animada, mas só em pensamento, meu corpo está aos trapos por conta da última noite, a única em um mês que passei com o marido.
"Bragança é um lugar mágico, Ajuruteua é um sonho", diz uma amiga que fiz aqui em Belém.
Não vou por isso, mas adorei saber, acredito que num lugar mágico hei de conseguir o que procuro.
Me desejem sorte, não que eu já não a tenha, mas nunca é demais.
02/07/2010
Cada um ama seu país da maneira que pode
Se gastar parte da minha reserva financeira atrás de um resgate cultural não é amar meu país, então não sei o que é.
Só sei que essa maldita copa do mundo atrapalha tudo, cada dia de jogo é um dia a menos pra mim. Belém paraliza, tudo fecha e a maioria não abre depois do jogo. Aqui as pessoas prezam a qualidade de vida, o comércio fecha para o almoço, imagina para a copa?
Levantei tarde hoje, já sabia que não tinha muito o que fazer por conta do jogo do Brasil, cheguei na sala e estavam todos os hóspedes do albergue (todos gringos) e os donos sentados na frente da tv. Todos se viraram pra mim quando apontei na entrada da sala. Disse: ainda tem café da manhã?
Os donos do albergue já olhavam pra tv de volta e mantinham o rosto virado pro meu lado sem tirar os olhos da tv.
Então eu disse: vou pegar um pão lá na cozinha.
E eles responderam: é, é, pode ir...
Lá fui eu, fiz meu próprio café da manhã, tomei, entrei na internet tentando passar uns e-mails e trabalhar um pouco, quando percebo, começa um delicioso silêncio. É um sonho, o Brasil está perdendo de 2 a 1 pra Holanda.
Será que meu pesadelo acaba hoje?
Se o Brasil perder terei dias inteiros pra pré-produção do livro, tudo funcionará melhor e mais rápido.
Já disse, eu amo demais esse Brasil, precisamos perder!
Vai Holaaaaandaaaaaaaa!!!!!
Só sei que essa maldita copa do mundo atrapalha tudo, cada dia de jogo é um dia a menos pra mim. Belém paraliza, tudo fecha e a maioria não abre depois do jogo. Aqui as pessoas prezam a qualidade de vida, o comércio fecha para o almoço, imagina para a copa?
Levantei tarde hoje, já sabia que não tinha muito o que fazer por conta do jogo do Brasil, cheguei na sala e estavam todos os hóspedes do albergue (todos gringos) e os donos sentados na frente da tv. Todos se viraram pra mim quando apontei na entrada da sala. Disse: ainda tem café da manhã?
Os donos do albergue já olhavam pra tv de volta e mantinham o rosto virado pro meu lado sem tirar os olhos da tv.
Então eu disse: vou pegar um pão lá na cozinha.
E eles responderam: é, é, pode ir...
Lá fui eu, fiz meu próprio café da manhã, tomei, entrei na internet tentando passar uns e-mails e trabalhar um pouco, quando percebo, começa um delicioso silêncio. É um sonho, o Brasil está perdendo de 2 a 1 pra Holanda.
Será que meu pesadelo acaba hoje?
Se o Brasil perder terei dias inteiros pra pré-produção do livro, tudo funcionará melhor e mais rápido.
Já disse, eu amo demais esse Brasil, precisamos perder!
Vai Holaaaaandaaaaaaaa!!!!!
30/06/2010
Égua
"Bom dia, sabes onde compro um chip da vivo?"Essa foi minha primeira fala do dia, se não virei paraense talvez seja efeito colateral da infecção intestinal que tive esses dias e - outro passo importante na transformação em paraense - criei casco estomacal/intestinal.
Brincadeiras a parte, estou louca pra finalizar as coisas aqui e poder voltar pra São Paulo. Hoje é um dos dias mais quentes que já passei em Belém, está insuportável na rua, e como não tinha internet no Hostel, acabei vindo para o "Estação das Docas" me abrigar no ar condicionado e me aproveitar do "Navega Pará", o programa de inclusão digital do governo do estado.
Estou comendo um cheese cake de queijo cuia, castanhas do pará e cupuaçu. A idéia é ótima, mas a execução poderia ser melhor, até porque pra deixar "bonito" eles enfiaram um horroroso chantily por cima da torta.
Hoje vou à Castanhal novamente, amanhã cedinho vou ver o processo da mandioca.
As más linguas diriam que estou aqui só por isso, a mandioca!
Talvez até seja uma verdade, mas não no outro sentido.
São inúmeros os produtos da mandioca, no proximo post coloco fotos e explicações.
Nos próximos dias virarei os quatro cantos do Pará, literalmente, porque o Pará sim, tem quatro cantos! De próxima explico melhor tudo isso, agora preciso voltar ao banheiro, que é só o que faço há dois dias. Difícil essa vida de paulistana no Pará! haha.
Brincadeiras a parte, estou louca pra finalizar as coisas aqui e poder voltar pra São Paulo. Hoje é um dos dias mais quentes que já passei em Belém, está insuportável na rua, e como não tinha internet no Hostel, acabei vindo para o "Estação das Docas" me abrigar no ar condicionado e me aproveitar do "Navega Pará", o programa de inclusão digital do governo do estado.
Estou comendo um cheese cake de queijo cuia, castanhas do pará e cupuaçu. A idéia é ótima, mas a execução poderia ser melhor, até porque pra deixar "bonito" eles enfiaram um horroroso chantily por cima da torta.
Hoje vou à Castanhal novamente, amanhã cedinho vou ver o processo da mandioca.
As más linguas diriam que estou aqui só por isso, a mandioca!
Talvez até seja uma verdade, mas não no outro sentido.
São inúmeros os produtos da mandioca, no proximo post coloco fotos e explicações.
Nos próximos dias virarei os quatro cantos do Pará, literalmente, porque o Pará sim, tem quatro cantos! De próxima explico melhor tudo isso, agora preciso voltar ao banheiro, que é só o que faço há dois dias. Difícil essa vida de paulistana no Pará! haha.
28/06/2010
O avesso do avesso do avesso
E depois de pastar muito, posso dizer com segurança que agora vai!
Hoje nem o jogo da copa me atrapalhou, conversei longamente com um senhor que detém o conhecimento necessário pra me ajudar a chegar onde preciso pra esse projeto. Calmamente durante o jogo ele me passava seus ensinamentos e depois me dizia: pense aí se tu tens alguma pergunta.
E assim fomos, durante o jogo inteiro, nem ligando para faltas, escanteios, gols ou qualquer coisa que estivesse acontecendo na África (a copa é na África, ne?), o foco era o Brasil, mais precisamente o Pará.
Saí de lá com o "roteiro" do livro pronto e da viagem também.
Tem mais coisa ainda, mas só conto quando estiver na minha mão.
Centrifugue, que torcer é pra futebol, pra esse projeto dar certo preciso de centrifugação!
Hoje nem o jogo da copa me atrapalhou, conversei longamente com um senhor que detém o conhecimento necessário pra me ajudar a chegar onde preciso pra esse projeto. Calmamente durante o jogo ele me passava seus ensinamentos e depois me dizia: pense aí se tu tens alguma pergunta.
E assim fomos, durante o jogo inteiro, nem ligando para faltas, escanteios, gols ou qualquer coisa que estivesse acontecendo na África (a copa é na África, ne?), o foco era o Brasil, mais precisamente o Pará.
Saí de lá com o "roteiro" do livro pronto e da viagem também.
Tem mais coisa ainda, mas só conto quando estiver na minha mão.
Centrifugue, que torcer é pra futebol, pra esse projeto dar certo preciso de centrifugação!
26/06/2010
muita emoção
Estou em Castanhal, num dos oito chalés super charmosos do Hotel Quinta das Alamandas. O hotel é da professora que me orienta na pesquisa, vim até aqui conversar sobre a pesquisa e ela fez questão que eu ficasse.
No quarto: internet, tv e uma cama (não uma beliche!) com lençois branquinhos, macios e super cheirosos. Um banheiro limpíssimo, só pra mim, e ainda por cima com chuveiro quente!!
MeoDeos, nunca pensei que pudesse vir a sentir tanta saudades da minha vidinha de garota paulistana classe média!
No quarto: internet, tv e uma cama (não uma beliche!) com lençois branquinhos, macios e super cheirosos. Um banheiro limpíssimo, só pra mim, e ainda por cima com chuveiro quente!!
MeoDeos, nunca pensei que pudesse vir a sentir tanta saudades da minha vidinha de garota paulistana classe média!
25/06/2010
Vai Brasil!!!
Chorar é como fazer cocô: fora de casa eu faço, mas não é a mesma coisa.
Sinto uma saudades imensa de tudo e de todos e às vezes me pergunto o que faço aqui quando as coisas não vão exatamente como esperava porque minhas expectativas são sempre maiores que a via láctea.
E essa merda dessa copa me atrapalha pacas, quando o Brasil desclassifica de vez, hein?
Cada um ama seu país da forma que pode, não é?
Sinto uma saudades imensa de tudo e de todos e às vezes me pergunto o que faço aqui quando as coisas não vão exatamente como esperava porque minhas expectativas são sempre maiores que a via láctea.
E essa merda dessa copa me atrapalha pacas, quando o Brasil desclassifica de vez, hein?
Cada um ama seu país da forma que pode, não é?
descoberta
Não existem doidos do bem, existe uma distância exata entre eu e cada doido para que as coisas não se compliquem. Como diz sabiamente meu pai: "de neuroses e loucuras já bastam as minhas!"
23/06/2010
Hoje completo 31 anos e o chef e a esposa dele estão empolgados querendo comemorar.
Já chamei alguns amigos que fiz aqui em Belém pra jantar aqui na casa deles, o cardápio é:
Vatapá do pará
Caribé (o consomê amazônico)
Peixe defumado no caldo de tucupi
E de sobremesa, compota de cupuaçu e compota de bacuri
Amigos paulistanos, podem babar, mas saibam que quando voltar vocês serão minhas cobaias.
Preparem o estômago.
Já chamei alguns amigos que fiz aqui em Belém pra jantar aqui na casa deles, o cardápio é:
Vatapá do pará
Caribé (o consomê amazônico)
Peixe defumado no caldo de tucupi
E de sobremesa, compota de cupuaçu e compota de bacuri
Amigos paulistanos, podem babar, mas saibam que quando voltar vocês serão minhas cobaias.
Preparem o estômago.
22/06/2010
primeira aula
Às quinze pras sete da manhã de hoje estava no ver-o-peso fazendo meu dejejum com tapioquinha na manteiga e café com leite.
Descobri que eu já saquei algumas coisas fundamentais sobre os ingredientes daqui, porém não faço idéia de muita coisa ainda, na verdade diria que não faço idéia nem do tamanho da minha falta de idéia!
A coisa é grave, cada vez descubro mais nomes de plantas e mais peixes e mais técnicas...
Haverei de voltar aqui ao menos umas mil vezes pra aprender tudo, ou seja, uma façanha!
Descobri que eu já saquei algumas coisas fundamentais sobre os ingredientes daqui, porém não faço idéia de muita coisa ainda, na verdade diria que não faço idéia nem do tamanho da minha falta de idéia!
A coisa é grave, cada vez descubro mais nomes de plantas e mais peixes e mais técnicas...
Haverei de voltar aqui ao menos umas mil vezes pra aprender tudo, ou seja, uma façanha!
20/06/2010
Quando o avesso é o direito
Depois de passar anos na expectativa de estagiar numa cozinha que na minha cabeça era uma coisa mágica, encontrar aquilo foi um grande choque. Os cozinheiros usavam preparados Kinorr pra temperar o vatapá do pará, carnes, e frango. Três sabores de caldo Kinorr, dignos de foder de vez qualquer cozinha, ainda mais essa, que tem fama de fazer a melhor comida regional. E pra acabar de vez com todas as chances da minha parte de dar uma chance: a mais absoluta falta de segurança no trabalho, e uma mousse de graviola que voltou do buffet estragada foi direto pra geladeira, apesar dos meus avisos de que estava estragado - quando coloquei uma colherada na boca as bactérias ficaram todas felizes e ferveram na minha lingua quentinha e úmida. Como diria minha amiga Fabiana Vajman, "é de foder até o cu cair da bunda!".
Procurei desesperadamente a "orientadora" que, depois descobri, estava passando mal do estômago e não me respondia.
Pensei estar perdida, pensei que todo o tempo aqui foi perdido, desci as calças e pisei em cima de tanta raiva. Cheguei a comprar uma medicação calmante fitoterápica na quinta feira, tomei uns goles do vidro e me acalmei.
Resolvi aproveitar o sol na beira do rio, no máximo minha viagem ao Pará me faria levar boas lembranças: conheci gente interessante, fiz amigos, conheci lugares incríveis, comi coisas deliciosas e passei a creditar que as pessoas podem ser felizes - aqui as pessoas nitidamente são.
Foi quando encontrei, finalmente depois de muito procurar, o Chef Ofir de Oliveira. Ele retornou à cidade à pouco, estava cozinhando na Suíça e depois dando aulas em Santa Catarina. Marquei de jantar na casa dele. Ele cobra 65 reais por uma entrada, três pratos e sobremesa. Já havia ouvido falar e na verdade ele era um dos meus focos quando cheguei, porém o número de telefone que tinha dele estava desativado. Diante da experiência do chef, fiquei enlouquecida, finalmente havia encontrado a pessoa que me ensinaria o que preciso sobre a cozinha de raiz da região. Muito mais do que aprenderia dentro de um restaurante que tem que lucrar e portanto se perde nas releituras dos pratos regionais e ingredientes regionais com a tal "cozinha internacional".
Diante desse encontro, quase chorei, só não chorei porque estou sozinha aqui e não posso me dar ao luxo de "amolecer" assim.
Percebi que as coisas sairam muito melhores que o planejado inicialmente e que aquele restaurante hoje realmente só convence pessoas sem a menor referência da cozinha paraense.
Na sequencia, consegui contato com a "orientadora", que muito feliz em me ajudar, me recebeu em seu hotel, numa cidade que fica a 100km de Belém. Conversamos longamente sobre o projeto e ela me fez acreditar, sem dúvidas, que eu posso e devo escrever esse livro, e que isso é de grande valor porque é um resgate de um acervo que está esquecido e em breve morrerá de vez, assim como já aconteceu na cidade de Belém.
Percebi que precisava de alguém para fotografar essa pesquisa e com a ajuda de um amigo que não é fotógrafo, nem músico, nem cozinheiro, mas que é tudo ao mesmo tempo, faremos isso contecer. Já consegui outro amigo que é ótimo no photoshop e se ofereceu para tratar as fotos.
E as coisas estão tomando forma e dançando na minha frente como um balé, ou melhor, um lindo passo de carimbó.
Procurei desesperadamente a "orientadora" que, depois descobri, estava passando mal do estômago e não me respondia.
Pensei estar perdida, pensei que todo o tempo aqui foi perdido, desci as calças e pisei em cima de tanta raiva. Cheguei a comprar uma medicação calmante fitoterápica na quinta feira, tomei uns goles do vidro e me acalmei.
Resolvi aproveitar o sol na beira do rio, no máximo minha viagem ao Pará me faria levar boas lembranças: conheci gente interessante, fiz amigos, conheci lugares incríveis, comi coisas deliciosas e passei a creditar que as pessoas podem ser felizes - aqui as pessoas nitidamente são.
Foi quando encontrei, finalmente depois de muito procurar, o Chef Ofir de Oliveira. Ele retornou à cidade à pouco, estava cozinhando na Suíça e depois dando aulas em Santa Catarina. Marquei de jantar na casa dele. Ele cobra 65 reais por uma entrada, três pratos e sobremesa. Já havia ouvido falar e na verdade ele era um dos meus focos quando cheguei, porém o número de telefone que tinha dele estava desativado. Diante da experiência do chef, fiquei enlouquecida, finalmente havia encontrado a pessoa que me ensinaria o que preciso sobre a cozinha de raiz da região. Muito mais do que aprenderia dentro de um restaurante que tem que lucrar e portanto se perde nas releituras dos pratos regionais e ingredientes regionais com a tal "cozinha internacional".
Diante desse encontro, quase chorei, só não chorei porque estou sozinha aqui e não posso me dar ao luxo de "amolecer" assim.
Percebi que as coisas sairam muito melhores que o planejado inicialmente e que aquele restaurante hoje realmente só convence pessoas sem a menor referência da cozinha paraense.
Na sequencia, consegui contato com a "orientadora", que muito feliz em me ajudar, me recebeu em seu hotel, numa cidade que fica a 100km de Belém. Conversamos longamente sobre o projeto e ela me fez acreditar, sem dúvidas, que eu posso e devo escrever esse livro, e que isso é de grande valor porque é um resgate de um acervo que está esquecido e em breve morrerá de vez, assim como já aconteceu na cidade de Belém.
Percebi que precisava de alguém para fotografar essa pesquisa e com a ajuda de um amigo que não é fotógrafo, nem músico, nem cozinheiro, mas que é tudo ao mesmo tempo, faremos isso contecer. Já consegui outro amigo que é ótimo no photoshop e se ofereceu para tratar as fotos.
E as coisas estão tomando forma e dançando na minha frente como um balé, ou melhor, um lindo passo de carimbó.
19/06/2010
Manjar das garças
Apesar do restaurante levar a fama de fazer uma cozinha internacional se utilizando de ingredientes locais, diria que além de escassos, esses ingredientes ainda são muito mal utilizados, ao menos, no Buffet de almoço. Lá haviam mais de 25 pratos quentes, provei 8, já que apenas estes levavam um ou dois ingredientes regionais.
O palmito pupunha assado, pobre, foi apenas decorado com uma salsinha verde, desconfio que até sal esqueceram de colocar.
Camarão ao molho de ostras: teria sido melhor descrito como “camarão ao creme de leite”
Também pude provar a primeira pescada que não consegui comer, ela vinha descrita como "pescada ao molho de manga": conseguiram deixar a pescada como uma palha de tão seca por causa da falta de molho no rechoud. Arrisco dizer que deveria se chamar “passado de manga em cubos”.
O arroz branco parecia ter sido cozinhado em água sem sal.
O filhote ao molho de alho poro e agrião estava ok.
No buffet de sobremesa, o único doce com ingredientes locais era uma compota de cupuaçu que estava bem honesta.
Tomei uma água 300 mL e no total com serviço (irritantemente atencioso), cobrado inclusive sobre o buffet, desembolsei R$52,47. Mais caro que duas diárias no Hostel em que me hospedo pra quem tem carteirinha de alberguista.
Hakuna Matata II, a missão
E esses últimos dois dias foram incríveis, e pela primeira vez dou graças às baratas e ao caldo Kinorr, porque não fosse a presença deles pra me desestimular totalmente do primeiro restaurante e partir pra vida, nunca chegaria aqui, prestes a iniciar um trabalho realmente original e relevante.
Hakuna Matata
É lindo dizer
isso é viver, é aprender hakuna matata
Hakuna matataaaaaaa...
Em breve mais explicações, por hora tenho que dormir.
Hakuna Matata
É lindo dizer
isso é viver, é aprender hakuna matata
Hakuna matataaaaaaa...
Em breve mais explicações, por hora tenho que dormir.
16/06/2010
Hakuna Matata
O legado de PM está se esvaindo.
Não vi nada ser feito como deveria lá hoje e olha que estou no berçário quando se trata da cozinha paraense.
O vatapá do Pará não estava 100%, o arroz paraense estava ruim, o pior que já provei na cidade, e está comprovado: qualquer barraquinha de rua serve uma maniçoba melhor.
Sinto no fundo do coração dizer isso tudo. Passei anos sonhando em estagiar nesse restaurante, e sei que ele é uma referência quando se fala em cozinha paraense, mas isso é pra estudante da faculdade, não pra mim. Sem querer ser pedante e já sendo, mas aprendi que eu sou mais que isso.
Enfim, diante da confirmação da orientação de uma professora de A&B, vou seguir a pesquisa sem continuar nessa cozinha. Acho que serei a única aluna da pós graduação sem ter graduação e isso é no mínimo inusitado.
O fato é que hoje trabalhei como ajudante de cozinha, e não vi nada especial, ao contrário. Não posso me submeter assim num lugar que não me ensina o melhor e ainda tem baratas passeando por todos os cantos da cozinha. Eu não tenho preconceitos, sou do time do Antony Bourdain, que em Cozinha Confidencial diz: "seu corpo é um parque de diversões e não um templo a ser cultuado". Se realmente valesse a pena, as baratas seriam só mais um motivo pra eu contar histórias engraçadas durante a cerveja com os amigos.
“Hakuna Matata! Viscoso mas gostoso”, lembra?
Não quero perfeição, não sou perfeita, passo longe, mas não posso pagar pra não aprender. Pago estadia, alimentação e passagem do meu bolso e além de tudo estou longe da minha família e morrendo de saudades, diga-se de passagem.
O legado dele está se perdendo e se existe uma coisa que aprendi nessa vida é correr antes que o teto caia sobre minha cabeça!
Mamãe, quando crescer quero ser Alex Atala
E a garota paulistana, que sequer conseguia ir ao cinema sem companhia em São Paulo, está há mais de uma semana sozinha em Belém do Pará. Hospedada num Albergue da Juventude num quarto comunitário, tomando banho frio (também não conseguia tomar banho frio ainda que fizesse 45graus), e o melhor de tudo: feliz!
Hoje é meu primeiro dia de estágio no restaurante do chef que ensinou cozinha paraense ao A.A - me incomodo de chamá-lo somente por Atala ou Alex, então passei a abreviar, é engraçadinho e ainda soa como uma certa intimidade.
Me desejem sorte!
Hoje é meu primeiro dia de estágio no restaurante do chef que ensinou cozinha paraense ao A.A - me incomodo de chamá-lo somente por Atala ou Alex, então passei a abreviar, é engraçadinho e ainda soa como uma certa intimidade.
Me desejem sorte!
15/06/2010
Todos os dias, desde que pisei em Belém, dia 30 de Maio, descubro uma série de ingredientes novos e de pratos novos que não tinha visto nem ouvido falar.
Todos os dias alguém me fala de um peixe que ainda não fotografei, e olha que passei duas manhãs fotografando peixes no mercado ver o peso desde às 5hs. Vi as barracas serem "montadas", a chegada dos peixes, os pescadores negociando com os comerciantes...
Conversei longamente com um pescador e com três irmãos donos de uma barraca de peixes. Os "meninos" foram super legais e me levaram à feira do açaí, me mostraram os temperos e ofereceram me levar ao interior pra ver uma "casa de farinha", que é onde se transforma a mandioca brava em tucupi, goma e farinha. Diante da confirmação que teria que fazer a viagem na garupa da moto de um deles, desisti.
Correr riscos não é sinônimo de aventura e minha curiosidade por mandiocas (apesar de gostar muito) não chega a tanto.
Não existe maneira de descrever a cozinha paraense a não ser resumidamente dizendo que ela é um mundo a parte, desses que você só imagina achar bem longe, no oriente.
Uma abundância de ingredientes e técnicas, uma complexidade de novos sabores e aromas que nunca provei antes, e olha, que sou do tipo que come até pedra se disserem que é gostoso, claro que depois constato que pedra é horrível, mas até lá quebro os dentes com a pedra tentando achar porque me disseram que é bom!
Ainda não tenho noção da maior parte das coisas, mas olhando daqui tenho a forte impressão que a população indígena tinha tanta abundância de alimentos em suas terras que pôde se dedicar às técnicas de cozinha.
Da mandioca brava lavada e ralada através do tipiti (foto ao lado) se extrai o tucupi , que precisa entrar em ebulição pelo menos duas vezes, pra perder o ácido cianídrico, que se estiver lá, mata! No fundo dessa panela fervendo se formará a goma, usada no tacaca e que depois de seca também vira farinha de tapioca. A mandioca que sobra ralada e espremida dentro do tipipi vira farinha, precisa ser torrada por horas numa grande chapa de ferro com a ajuda de uma espécie de rodo, a farofa feita dessa farinha é uma coisa fabulosa!
Hoje fui ao Pier 47, um restaurante que fica num naviu no complexo Ver o Rio.
E claro, não pude deixar de provar a maniçoba, que estava bem gostosa, mas a vencedora até agora é a da chef Adriana do restaurante Beto Grill, Um amor de pessoa (como todo belenense!) que tive a oportunidade de conhecer ontem.
14/06/2010
Da hospitalidade de Belém do Pará
É impressionante, mas por onde quer que você vá nesta cidade as pessoas te acolhem, te ajudam, te orientam.
Ficam extremamente lisonjiadas porque minha vinda ao Pará é uma busca pela cozinha brasileira. Adoram quando brinco dizendo que não vou mais embora, que essa cidade é incrível... Elas realmente querem que você fique. Bem parecido com aquela cidade que eu nasci... como é mesmo o nome, cara pálida??
Enfim, eu achei que ia morrer de calor, tédio e solidão numa viagem que a princípio já se extende em mais de um mês. Saudades eu tenho, muita, mas estou feliz aqui e sinto que passarei a sentir saudades daqui quando voltar.
Comecei a estabelecer vínculos, fiz amigos, assim como quem tropeça na rua.
E só de sair na rua vou cada vez mais conhecendo gente que se comove com minha busca e tenta me ajudar de todas as maneiras.
No primeiro dia um grupo de pessoas que conheci enquanto assistia ao ensaio do Arrastão do Pavulagem, me levou num restaurante de comida regional frequentado pelas pessoas da cidade. Comi um caranguejo com farofa de ajoelhar e pedir mais. Só que no caso, aqui é tudo tão bem servido que não dá pra pedir mais, simplesmente não cabe no meu estômago.
Já engordei e tive que comprar roupas aqui, já que as minhas (vindas do "exterior," além de nada adequadas ao clima, ainda que curtas) não me servem mais.
No segundo dia esse grupo me chamou para o "namorado oculto". No dia 12 eles fizeram um esquema amigo secreto entre eles que estão solteiros ou que estão com seus cônjuges longe. Eu entrei e foi divertidíssimo. E me sinto acolhida e amada como se estivesse entre amigos de muitos anos! As pessoas se preocupam com você, querem ter certeza que você está bem, são generosas. Espécimes raros na selva de pedras.
Consegui o contato de uma professora de alimentos e bebidas do curso de turismo de uma faculdade daqui que vai me "orientar" na pesquisa, o contato veio através de duas professoras da UFPA que conheci no meio da multidão acompanhando o Arrastão do Pavulagem. Quando é que você faz amigos no metrô de São Paulo??
Conheci uma chefe de cozinha de um restaurante regional bem legal e ela já me passou os contatos, quer conversar, sair pra comer.
As pessoas aqui não tem medo de se apegar, de fazer amizades, de trocar experiências, de ajudar as outras pessoas.
Belém do Pará tem identidade, se orgulha do que é, tem na tradição essa coisa do acolhimento, e acredito que por isso as pessoas são super legais quando descobrem que alguem veio conhecer o que é deles - e que é muito incrível, quero frizar.
Ficam extremamente lisonjiadas porque minha vinda ao Pará é uma busca pela cozinha brasileira. Adoram quando brinco dizendo que não vou mais embora, que essa cidade é incrível... Elas realmente querem que você fique. Bem parecido com aquela cidade que eu nasci... como é mesmo o nome, cara pálida??
Enfim, eu achei que ia morrer de calor, tédio e solidão numa viagem que a princípio já se extende em mais de um mês. Saudades eu tenho, muita, mas estou feliz aqui e sinto que passarei a sentir saudades daqui quando voltar.
Comecei a estabelecer vínculos, fiz amigos, assim como quem tropeça na rua.
E só de sair na rua vou cada vez mais conhecendo gente que se comove com minha busca e tenta me ajudar de todas as maneiras.
No primeiro dia um grupo de pessoas que conheci enquanto assistia ao ensaio do Arrastão do Pavulagem, me levou num restaurante de comida regional frequentado pelas pessoas da cidade. Comi um caranguejo com farofa de ajoelhar e pedir mais. Só que no caso, aqui é tudo tão bem servido que não dá pra pedir mais, simplesmente não cabe no meu estômago.
Já engordei e tive que comprar roupas aqui, já que as minhas (vindas do "exterior," além de nada adequadas ao clima, ainda que curtas) não me servem mais.
No segundo dia esse grupo me chamou para o "namorado oculto". No dia 12 eles fizeram um esquema amigo secreto entre eles que estão solteiros ou que estão com seus cônjuges longe. Eu entrei e foi divertidíssimo. E me sinto acolhida e amada como se estivesse entre amigos de muitos anos! As pessoas se preocupam com você, querem ter certeza que você está bem, são generosas. Espécimes raros na selva de pedras.
Consegui o contato de uma professora de alimentos e bebidas do curso de turismo de uma faculdade daqui que vai me "orientar" na pesquisa, o contato veio através de duas professoras da UFPA que conheci no meio da multidão acompanhando o Arrastão do Pavulagem. Quando é que você faz amigos no metrô de São Paulo??
Conheci uma chefe de cozinha de um restaurante regional bem legal e ela já me passou os contatos, quer conversar, sair pra comer.
As pessoas aqui não tem medo de se apegar, de fazer amizades, de trocar experiências, de ajudar as outras pessoas.
Belém do Pará tem identidade, se orgulha do que é, tem na tradição essa coisa do acolhimento, e acredito que por isso as pessoas são super legais quando descobrem que alguem veio conhecer o que é deles - e que é muito incrível, quero frizar.
Das coisas que deveriam ser ruins
Acabo de sofrer uma tentativa de assalto em Belém do Pará.
Dei com a sombrinha no "assaltante que veio com as duas mão abanando e dizendo "passa tudo, é um assalto! assalto! assalto!". Já pronta pra correr, quem saiu correndo foi ele.
É que eu tenho toda essa cor do verão e sou confundida, acham que sou gringa, ainda mais porque ando por aí feito imbecil olhando as construções que aqui são lindas e em sua maioria tombadas.
O albergue em que me hospedo é uma dessas casas tombadas, pé direito de milhões de metros, portas enormes, janelões... Linda.
Eu sei que prometi não falar mais mal de Belém, mas os assaltantes aqui são muito amadores, eles correm depois que você mostra que não vai entregar nada. Precisam fazer um estágio em São Paulo, né cara pálida?
Dei com a sombrinha no "assaltante que veio com as duas mão abanando e dizendo "passa tudo, é um assalto! assalto! assalto!". Já pronta pra correr, quem saiu correndo foi ele.
É que eu tenho toda essa cor do verão e sou confundida, acham que sou gringa, ainda mais porque ando por aí feito imbecil olhando as construções que aqui são lindas e em sua maioria tombadas.
O albergue em que me hospedo é uma dessas casas tombadas, pé direito de milhões de metros, portas enormes, janelões... Linda.
Eu sei que prometi não falar mais mal de Belém, mas os assaltantes aqui são muito amadores, eles correm depois que você mostra que não vai entregar nada. Precisam fazer um estágio em São Paulo, né cara pálida?
Açaí - versão remasterizada
Hoje pretendo ir mais além, vou comer peixe com açaí nas barraquinhas do mercado ver o peso.
Programa típicamente paraense.
E pra finalizar mais um pouco da história do açaí, que no interior se chama "iaça".
Depois de colhido durante a noite pra não secar ao sol, é processado nessas máquinas como na última foto, ou também na mão para consumo próprio nas comunidades ribeirinhas. O paraense come açaí durante as refeições. Há quem diga que não consegue comer sem o açaí como acompanhamento. Compreensível, já que ele é realmente delicioso, o verdadeiro, claro.
13/06/2010
Arrastão do Pavulagem
Eu fui lá hoje e foi incrível!
Segui o arrastão com mais umas 6 mil pessoas até a praça da Republica, que foi um cemitério de escravos e hoje tem uma feira de artesanato das mais bonitas que já vi.
Minha bateria acabou e não consegui fotos do show nem fotos minhas dançando o carimbó.
Acredite eu aprendi a dançar o carimbó!

E olha o booooooooi!!!
Dia incrível!
Para saber mais, clique aqui
Abaixo o atestado de presença
Segui o arrastão com mais umas 6 mil pessoas até a praça da Republica, que foi um cemitério de escravos e hoje tem uma feira de artesanato das mais bonitas que já vi.
Minha bateria acabou e não consegui fotos do show nem fotos minhas dançando o carimbó.
Acredite eu aprendi a dançar o carimbó!
E olha o booooooooi!!!
Dia incrível!
Para saber mais, clique aqui
Abaixo o atestado de presença
11/06/2010
Das maravilhas de Belém
Como o prometido, vou começar a contar as coisas boas dessa cidade incrível que é Belém do Pará.
Do meu ponto de vista (levando em conta que sou uma cozinheira absolutamente apaixonada pelo ofício) a melhor parte da cidade é o mercado ver-o-peso.
Basicamente tudo o que se extrai da Amazônia passa por lá até chegar ao consumidor final. Desde o açaí até os produtos derivados da mandioca amarela.
Também existem as famosas garrafadas, que fazem milagres como curar dor de corno, olho gordo ou insônia.
O Açaí
Quando dei a primeira colherada num açaí em Belém do Pará percebi que fui enganada até agora. O açaí tem um sabor forte, marcante, delicioso e além disso é líquido! Aqui as pessoas comem com farinha de tapioca, alguns colocam açúcar, outros apenas a tapioca ou até mesmo a farinha de mandioca amarela que por sinal é incrível, mas fica pra outro texto.
Ele é extraído pelos caboclos das comunidades ribeirinhas e chega à feira do açaí para ser comercializado pela madrugada num espaço ao lado do ver-o-peso.
Daí paulista pensa: paraense é tudo maluco, uma feira que começa meia-noite e termina às cinco da manhã!!!
Não, cara pálida, o açaí não pode pegar sol, ou fica seco e não dá sumo.
O açaí é uma frutinha que dá numa palmeira que quase entrou em extinção nos anos 90 por conta da extração de palmito juçara. Isso aí, o açaí é o fruto da mesma palmeira que cortada é o palmito juçara que o brasileiro adora na empadinha.
Não sei quem foi esse marqueteiro do bem que implantou a moda do açaí no país, mas ele merecia o premio Nobel. Ele salvou a palmeira da extinção e ainda fez com que a comunidade ribeirinha ficasse praticamente "rica"! Um quilo de açaí chega a custar 60 reais fora da época.
Por sua vez, as igrejas evangélicas atacaram. Num breve passeio de uma hora de barco pelas comunidades ribeirinhas pude flagrar duas igrejas evangélicas construídas sobre palafitas e uma em Boa vista do Acará que já é terra firme amazônica.
A época do açaí começa agora, junho até setembro. Já ouvi de uns três paraenses que se eu gostei do açaí no fim de maio vou pirar quando tomá-lo em julho.
Vamos aguardar.
Ainda não comi peixe com açaí e outras iguarias que pra quem não é do Norte soam como bizarrices, espero fazê-lo até o fim da minha estadia aqui. Relatos em breve.
O Cupuaçu
A polpa de cupuaçu que comemos no sudeste não é cupuaçu, depois de assuntar por aqui descobri que muitos dos produtores de polpa misturam jaca e banana na polpa para render e mandam pra outros estados onde o povo não conhece o sabor.
O cupuaçu tem um sabor incrível e aqui é ingrediente de vários doces regionais, como Maria Isabel, Rocambole de cupuaçu e ate mesmo pratos com peixes e camarão levam cupuaçu.
Ouvi dizer que existe uma maneira de secar o cupuaçu e transformá-lo uma espécie de chocolate, porém não consegui nem se quer comer o tal “chocupuaçu” (se não existia esse nome, acabo de inventar), muito menos ver como se faz.
Pra encerrar esse post (que está na hora do jantar e eu não perco uma oportunidade se quer de comer nessa cidade) em São Paulo nunca mais conseguirei tomar açaí ou suco de cupuaçu novamente.
A ignorância é mesmo uma benção!
Minhocas
E eu enrolo feito minhoca pra escrever porque não faço patavina de onde começar.
A Amazônia é um mundo a parte, me sinto a própria extra-terrestre. Se tivesse a pele verde talvez não fizesse tanto alarde no meio do ver-o-peso - o mercado local, por onde passa tudo que é extraído das matas para chegar à Belém.
É tanta coisa nova, tanto nome novo, que acho que vou começar dizendo meu próximo destino:

São Gabriel da Cachoeira, município mais ao norte do estado do Amazonas.
Dona Brazi, uma cozinheira local, vai me receber em sua cozinha e me ensinar a comida indígena do alto do rio negro.
O traço vermelho é uma linha comercial, Belém - Manaus, o branco é feito por uma linha particular, custa os olhos da cara e viaja-se de teco-teco.
Outra opção é me enfiar num barco em Manaus e levar de 3 a 4 dias pra chegar em São Gabriel da Cachoeira.
Torça por mim, se quiser, centrifugue pra ser mais eficaz.
Enquanto isso preparo meu texto sobre o ver-o-peso...
A Amazônia é um mundo a parte, me sinto a própria extra-terrestre. Se tivesse a pele verde talvez não fizesse tanto alarde no meio do ver-o-peso - o mercado local, por onde passa tudo que é extraído das matas para chegar à Belém.
É tanta coisa nova, tanto nome novo, que acho que vou começar dizendo meu próximo destino:

São Gabriel da Cachoeira, município mais ao norte do estado do Amazonas.
Dona Brazi, uma cozinheira local, vai me receber em sua cozinha e me ensinar a comida indígena do alto do rio negro.
O traço vermelho é uma linha comercial, Belém - Manaus, o branco é feito por uma linha particular, custa os olhos da cara e viaja-se de teco-teco.
Outra opção é me enfiar num barco em Manaus e levar de 3 a 4 dias pra chegar em São Gabriel da Cachoeira.
Torça por mim, se quiser, centrifugue pra ser mais eficaz.
Enquanto isso preparo meu texto sobre o ver-o-peso...
09/06/2010
o que não fazer em Belém ou ééégua, não sabia que era assim!
Antes de mais nada quero falar mal de Belém do Pará.
Não que a cidade seja ruim, ou contrario, essa cidade é incrível, porem um paulista acaba por estranhar um pouco. E assim, a paulista aqui desabafa e fala só das coisas boas a partir do próximo post, certo?
Pra começar, tome muito cuidado no trânsito, principalmente andando a pé. Bicicleta? Nem sonhe com isso.
Saindo do aeroporto, vendo essa cidade super plana, logo pensei: que imbecil!!! Por que não embarquei com minha bicicleta??
Depois de alguns minutos andando nas ruas de Belém entendi que se eu quiser voltar viva e com todos os ossos inteiros é melhor andar a pé mesmo.
Bem, pra começar, olhe SEMPRE para os dois lados ao atravessar a rua.
Aqui, mais que em São Paulo, não existe preferencial e muito menos para pedestres, cuidado!
Ao andar na calçada também fique atento, os bicicleteiros de Belém (pra chamar de ciclista tem que nascer de novo) não sabem bem por onde andar e acabam na calçada, por vezes, em cima dos pedestres.
Ao tomar um taxi, prefira os taxistas com cara de taxistas, sabe aqueles que em São Paulo você evita porque tem cara de malandro? (eu adoro e cultivo meus preconceitos, tá?!) Aqui eles são os caras que vão te levar em segurança ao seu destino, sem entrar em vias na contra-mao, sem olhar pra você no banco traseiro enquanto guiam, sem errar a troca de marcha... Enfim, evite os tios com cara de bonzinhos e senhores mais velhos, eles não costumam ser confiáveis aqui em Belém.
Ao sentar em um restaurante, certifique-se que você tem tempo disponível para usufruir de uma refeição que com certeza vai demorar no mínimo 30 minutos pra chegar. Se estiver com muita fome, esqueça, não existe entrada rapidinha, espere dez minutos por um suco que possa tapear sua fome até dali meia hora!
O tempo em Belém do Pará é mais lento que em São Paulo, as pessoas no transito até demoram mais a buzinar quando alguém empaca no sinal verde, o que acontece muito.
Você vai engordar vários quilos em Belém do Pará, mas o motivo disso eu vou contar nos próximos posts, que é a melhor parte da cidade!
Não que a cidade seja ruim, ou contrario, essa cidade é incrível, porem um paulista acaba por estranhar um pouco. E assim, a paulista aqui desabafa e fala só das coisas boas a partir do próximo post, certo?
Pra começar, tome muito cuidado no trânsito, principalmente andando a pé. Bicicleta? Nem sonhe com isso.
Saindo do aeroporto, vendo essa cidade super plana, logo pensei: que imbecil!!! Por que não embarquei com minha bicicleta??
Depois de alguns minutos andando nas ruas de Belém entendi que se eu quiser voltar viva e com todos os ossos inteiros é melhor andar a pé mesmo.
Bem, pra começar, olhe SEMPRE para os dois lados ao atravessar a rua.
Aqui, mais que em São Paulo, não existe preferencial e muito menos para pedestres, cuidado!
Ao andar na calçada também fique atento, os bicicleteiros de Belém (pra chamar de ciclista tem que nascer de novo) não sabem bem por onde andar e acabam na calçada, por vezes, em cima dos pedestres.
Ao tomar um taxi, prefira os taxistas com cara de taxistas, sabe aqueles que em São Paulo você evita porque tem cara de malandro? (eu adoro e cultivo meus preconceitos, tá?!) Aqui eles são os caras que vão te levar em segurança ao seu destino, sem entrar em vias na contra-mao, sem olhar pra você no banco traseiro enquanto guiam, sem errar a troca de marcha... Enfim, evite os tios com cara de bonzinhos e senhores mais velhos, eles não costumam ser confiáveis aqui em Belém.
Ao sentar em um restaurante, certifique-se que você tem tempo disponível para usufruir de uma refeição que com certeza vai demorar no mínimo 30 minutos pra chegar. Se estiver com muita fome, esqueça, não existe entrada rapidinha, espere dez minutos por um suco que possa tapear sua fome até dali meia hora!
O tempo em Belém do Pará é mais lento que em São Paulo, as pessoas no transito até demoram mais a buzinar quando alguém empaca no sinal verde, o que acontece muito.
Você vai engordar vários quilos em Belém do Pará, mas o motivo disso eu vou contar nos próximos posts, que é a melhor parte da cidade!
18/03/2010
23/02/2010
meu casamento
Quando você pronuncia isso ocorre uma reação estranha em algumas pessoas. Primeiro um brilho no olhar, parecido com o dos olhos de um leão faminto que encontra uma girafa bebendo água na savana...
Depois, as palavras bregas.
Sua auto-estima revolve no lodo do fundo do poço quando você percebe que ao pronunciarem noivinha de maio referiram-se carinhosamente à você.
E então eles vêm pra cima, achando que você é aquela girafinha indefesa na savana mais próxima.
Minha única conclusão é que as pessoas realmente acham que pra pronunciar essa expressão há de ter dinheiro esvaindo pelo rabo.
Depois, as palavras bregas.
Sua auto-estima revolve no lodo do fundo do poço quando você percebe que ao pronunciarem noivinha de maio referiram-se carinhosamente à você.
E então eles vêm pra cima, achando que você é aquela girafinha indefesa na savana mais próxima.
Minha única conclusão é que as pessoas realmente acham que pra pronunciar essa expressão há de ter dinheiro esvaindo pelo rabo.
08/02/2010
salto ornamental
Pela primeira vez posso pesquisar sobre o que eu quero sem ter uma crise de ansiedade e dormir chorando.
Acho que tô perto, bem perto de chegar onde quero, ou ao menos, no início da trilha que vai me levar àquela cachoeira em que sempre sonhei entrar.
E eu vou de cabeça!
Acho que tô perto, bem perto de chegar onde quero, ou ao menos, no início da trilha que vai me levar àquela cachoeira em que sempre sonhei entrar.
E eu vou de cabeça!
04/02/2010
30/01/2010
felicidade nao foi embora, ela está aqui dentro do meu peito e eu quero dizer pra todo mundo
Eu cansei de me refugiar como criminosa atrás dos meus medos.
Vou encarar a vida e viver como eu mereço.
Que eles se resolvam ou que mudem pra Londres, que é terra de gaiteiros!
Vou encarar a vida e viver como eu mereço.
Que eles se resolvam ou que mudem pra Londres, que é terra de gaiteiros!
28/01/2010
Abiogênese
A preguiça e o orgulho me fizeram enfiar tudo o que era difícil de resolver dentro do armário.
Anos depois o armário aprendeu a se mover e cospir a bagunça...
Anos depois o armário aprendeu a se mover e cospir a bagunça...
02/01/2010
Riviera Paulistana
Quando eu era criança, uma parte da viagem pra Juquehy era feita pela praia, a praia de Sâo Lourenço. Era uma praia enorme e logo atrás tinha um enorme mangue impossível de ser atravessado. A gente precisava esperar a maré baixar e tomar cuidado pra atravessar os rios que cortavam a praia. Precisávamos também prestar bastante atenção pois em alguns locais havia uma espécie de areia movediça. Muitas pessoas perderam carros nessa praia. Tinha horas em que tínhamos que descer todos do carro e só deixar meu pai dirigindo em alguns pontos.
Alguém muito esperto cometeu um crime ambiental, arrasou com o mangue e construiu a Malibu brasileira.
Estou muito bem hospedada num apartamento de duas suites e dois dormitórios com ar condicionado, churrasqueira, piscina, cozinha gourmet, aquecimento central - ah, o aquecimento central...
Aqui é ótimo, exceto porque sei que piso sobre o solo onde ocorreu um massacre em pró do bolso de alguém.
Certa estava minha avó: "A ignorância é uma benção, minha filha..."
Alguém muito esperto cometeu um crime ambiental, arrasou com o mangue e construiu a Malibu brasileira.
Estou muito bem hospedada num apartamento de duas suites e dois dormitórios com ar condicionado, churrasqueira, piscina, cozinha gourmet, aquecimento central - ah, o aquecimento central...
Aqui é ótimo, exceto porque sei que piso sobre o solo onde ocorreu um massacre em pró do bolso de alguém.
Certa estava minha avó: "A ignorância é uma benção, minha filha..."
01/12/2009
Descobri diversas coisas hoje, inclusive que a única maneira de resguardar o que me é de direito será me mudando pra casa da minha avó recém falecida de inventário na mão.
Aceito doações de galinhas, patos, gansos e outras aves que causem incômodo através de odores e ruídos.
Idicações de moradores de rua que sejam gente fina pra eu convidar pros churrascos aos fins de semana.
Ah, estão todos convidados pra grande noite de natal, haverá uma grande orgia, chamem seus amigos, vizinhos, primos e afins pra comer peru e outras coisas lá na sala de casa.
Ela poderia sair de lá pro antigo apartamento dela...
PERDEU PRAYBOY!
TU VAI É PRO SANATÓRIO!
Aceito doações de galinhas, patos, gansos e outras aves que causem incômodo através de odores e ruídos.
Idicações de moradores de rua que sejam gente fina pra eu convidar pros churrascos aos fins de semana.
Ah, estão todos convidados pra grande noite de natal, haverá uma grande orgia, chamem seus amigos, vizinhos, primos e afins pra comer peru e outras coisas lá na sala de casa.
Ela poderia sair de lá pro antigo apartamento dela...
PERDEU PRAYBOY!
TU VAI É PRO SANATÓRIO!
25/11/2009
16/11/2009
Aconteça o que acontecer
Eu não vou deixar de escrever.
Nem que o mundo exploda, nem que a vaca tussa e dê três pinotes.
Ainda que eu vire do avesso e todas as tartarugas virem sopa.
Foda-se, foda-se, até o cu desatarrachar da bunda, foda-se!!!
Eu não vou deixar de escrever!
Nem que o mundo exploda, nem que a vaca tussa e dê três pinotes.
Ainda que eu vire do avesso e todas as tartarugas virem sopa.
Foda-se, foda-se, até o cu desatarrachar da bunda, foda-se!!!
Eu não vou deixar de escrever!
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